“Gente Brasileira” – Primeiro Episódio [Quem é meu pai?]

 

João Pessoa/Motel/ Quarto

Geralda: Depois dessa transa você não vai me largar não, néh?

Ordilei: Claro, que não sabe por quê?

Geralda: Por quê?

Ordilei: Por quê eu te amo, a nossa transa foi boa, mas poderia ter sido melhor, nem chupar você quis

Geralda: Credo!, eu não sou nojenta não, você ta achando que eu sou alguma vagabunda dessas que você encontra na rua

Ordilei: Ainda as vagaba que eu encontro na rua chupa

Geralda se levanta da cama, se veste, e diz

Geralda: Sabia, que você era igual a todos

Ordilei: Você quis dá e eu comi

Geralda: Não você não é igual a todos, você é pior

Depois de se vestir Geralda vai embora.

Geralda sai desolada pelas ruas da capital da Paraíba, triste e chorando fala sozinha

Geralda: Se eu engravidar o que eu faço?, como eu fui besta meu Deus, muito besta

No Dia Seguinte…

Favela Romã/ Barraco de Ordilei

Izaira: Onde que você estava meu filho?

Ordilei: Andando por aí

Izaira: Você não foi trabalhar hoje de novo?

Ordilei: Cala essa boca sua velha desgraçada, faz meu rango que eu to  “cum”  fome

Izaira: Não tem nada pra comer

Ordilei: “Cê” tem que trabalhar também sua “veia” só eu não dou conta

Izaira: Meu filho eu tenho 60 anos, já trabalhei muito nessa vida

Ordilei: È por isso que eu roubo por que não quero ficar me matando de trabalhar pra ganha um salário mínimo

Izaira: Tome rumo na sua vida meu filho

Ordilei pega a arma na gaveta do armário e pega Izaira pelo braço apertando

Ordilei: Sua desgraçada se você não cala essa boca eu mesmo calo me entendeu?

Izaira: Claro meu filho

Benedita, uma velha muito da fofoqueira ouve o que Ordilei disse e sai correndo pra contar para Porpeta, Guiomar e Sheila, três velhas que adora uma fofoca

Benedita: Vocês não sabe o que eu ouvi

Porpeta: O que Benedita?

Benedita: O Ordilei ameaçou a Zaira de morte

Porpeta: Mas é um “fila da égua mesmo”

Guiomar: (Limpa a baba da boca) Eu disse que esse menino não presta

Sheila: Ainda bem que meus filhos todos estão casados e não ficam vagabundiando

O quarteto das velhas fofoqueira discutem

Mansão da família Prado/ Sala de Estar

Geralda: Um dia eu terei uma casa dessa, com uma família igual a essa

Livina ouviu o que Geralda disse

Livina: (Risos) Uma faveladinha que nem você nunca vai ter uma família dessa, mas nunca mesmo

Geralda: (De cabeça baixa) Desculpa senhora não percebi que você estava aí

Livina pega um vaso de cristais em cima da mesa e joga no chão

Livina: (Com um sorriso irônico no rosto) Isso vai sair do seu salário

Geralda: Sim, senhora!

Anoitece…

Quarto de Geralda

Deitada em sua cama, com um colchão fininho Geralda chora muito

Geralda: O que faço da minha vida meu Deus

Favela Romã/Ruas da Favela

Diguinho: Ordlilei, chega aqui

Ordilei: O que foi?

Diguinho: “Cê” sabe o que eu quero

Ordilei: Mas eu não tenho o dinheiro agora, eu te juro que pago semana que vem

Diguinho: Semana que vem é o último prazo

Ordilei: Eu juro que te pago

Oridilei tem uma conta muito grande com Diguinho, dono da maior boca de fumo da favela Romã.

Uma Semanas Depois…

Em uma noite fria e chuvosa Geralda se levanta da cama e vai até ao banheiro onde toma todo os remédio que encontrou pela frente

Barraco de Ordilei

Ordilei: Meu prazo venceu mãe e eu não tenho dinheiro eu vou fugir para São Paulo

Izaira: Vai com Deus meu filho

Ordilei sai correndo em direção a rodoviária

Rodoviária

Ordilei: Quero uma passagem para São Paulo

Ordilei pega a passagem e vai em direção a fila do ônibus

Liviana encontra Geralda desmaiada no chão e a leva para o hospital

Hospital

Depois de examinar Geralda o médico vai falar com Liviana e José

Liviana: O que ela tem doutor?

Médico: Ela tomou muitos remédios, mas não se preocupem está tudo bem com o bebê

Liviana: Bebê?

A Cena congela em Liviana ecom cores verde e amarela